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Postado em 04 de Março às 13h33

VIVER A QUARESMA É CAMINHAR NO EVANGELHO - reflexão pelo padre Ivo Pedro Oro

Geral (29)
Diocese de Chapecó/SC  QUARTA-FEIRA de CINZAS (06 de março) Deus é o Senhor do tempo e da vida. Ele nos concede agora este tempo de graça e de salvação. Quaresma vai deste dia até a 5ª....

 QUARTA-FEIRA de CINZAS (06 de março)


Deus é o Senhor do tempo e da vida. Ele nos concede agora este tempo de graça e de salvação. Quaresma vai deste dia até a 5ª. Feira Santa antes da celebração da Ceia. O Vaticano II já nos alertava que sua vivência nos prepara para a Páscoa: “... pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal” (SC 109). O Evangelho de Mateus insiste em três práticas tradicionais da vivência quaresmal, mas, sobretudo, aponta para a motivação de fazê-las: não é para aparecer nem engrandecer-se, e sim para viver a humildade de entrar em comunhão com os irmãos e com o Pai. Jesus nos diz: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles”.

1. “Quando deres esmola, não toques a trombeta...”

Diz Jesus: “Que a tua esmole fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa”... No tempo de Jesus, não havia assistência social. E o “poder público” não tinha nenhuma obrigação de amparar doentes e pobres. Isto só aconteceu na história a partir da segunda metade do século XVIII. Então os necessitados ficavam à mercê das pessoas de boa vontade, e de alguma ajuda do templo... Hoje, melhor do que esmola, é viver a solidariedade, que inclui a partilha, a presença e a ajuda concreta. Isto deve ser feito tanto nas relações com outras pessoas, como através de projetos sociais e conquistas de direitos e portarias que garantam saúde, moradia, terra e, enfim, melhores condições de vida para as pessoas.

2. “Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos...”

A motivação da oração deve ser o encontro com Deus e a busca de conhecer a sua vontade, e não a admiração ou elogio de quem nos enxerga orando. Por isso, Jesus acrescenta: “Quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está oculto”. Que o motivo de nossa oração, na quaresma, não seja a busca de Deus para que atenda aos nossos gostos e interesses individuais, nem a mania de aparecer e de receber elogios, nem o prestígio por participar e ajudar nas celebrações da comunidade, mas, ao contrário, o motivo de oração seja nosso amor profundo a Deus e ao seu Reino.

3. “Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste...”

Na quaresma, tradicionalmente a Igreja nos propõe a abstinência de carne e jejum nesta quarta-feira e na sexta-feira santa, bem como abstinência de carne todas as sextas-feiras da quaresma. Os cristãos podem, além disso, abster-se de outras coisas e isso nos torna mais fortes diante dos males e vícios da sociedade. Pode ser jejum de whats app, de internet, de TV, de bebida alcoólica, de exageros no embelezamento do próprio corpo. O sacrifício do jejum contribui para termos mais controle e autodomínio. E o que se economiza com o jejum, seja doado na Campanha da Fraternidade ou a outras pessoas ou obras sociais.

- Nesta Campanha, somos convidados a crescer na consciência política como pessoas humanas e como cidadãos e a colaborarmos na construção de políticas públicas para o atendimento do bem comum e a melhoria da qualidade de vida, sobretudo dos que mais sofrem, das classes trabalhadoras e dos segmentos excluídos da sociedade. Isso porque somos realmente irmãos e irmãs. Que este tempo de mais oração, de ajudas solidárias, de jejum e de esforço sincero e dedicado para construirmos relações de paz e de participação política produza em nós uma vida mais alegre, pacífica e fraterna.

- Três vezes neste evangelho Jesus insiste para vivermos e agirmos mais “de modo oculto e humilde”. Evitar a propaganda daquilo que se faz e do que se vive é a condição para recebermos “a recompensa do Pai que está no céu”. Ou seja, nossas boas ações na quaresma sejam sem propaganda, sem busca de prestigio, mas com humildade, no silêncio e no oculto. Aliás, ou é assim, ou então não ajudam nem para “nossa justiça” (para sermos mais justos e salvos) nem para o crescimento do Reino do Senhor.

- Na 1ª. leitura o profeta Joel (2,12-17) também nos anima à conversão. Não basta sinais exteriores de penitência. “Voltem para mim de todo o coração...”. Nosso interior – “rasguem o coração”, diz o profeta – é que precisa mudar. “Pois Deus é piedade e compaixão.”

 

* Referencias: Jl 2,12-17; Sl 51; 2Cor 5,20—6,2; Mt 6,1-6.16-18

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