Aba 1

Postado em 27 de Março às 19h27

Vida: Dom e Compromisso, em tempo de coronavírus

De repente, estamos todos surpresos, vivenciando um estilo de vida que jamais tínhamos pensado. Nunca antes na história deste mundo, imaginamos que quase toda a humanidade iria precisar parar, precaver-se, fechar-se em quarentena… De cara, após os decretos, perceberam-se atitudes diferentes. Houve e há gente com medo, pavor, irritação e pânico, e há pessoas que simplesmente atendem às restrições e encaminhamentos oficiais, serenamente. Para muitos, “ainda nem caiu a ficha” da gravidade da situação e veem tudo como uma longínqua armação.

Sem comentar nem analisar o que está suficientemente narrado, meditemos, à luz da CF 2020, para perceber alguns apelos e tirar lições. São mais perguntas do que respostas, para encontrarmos saídas e caminhos… Em primeiro lugar, deixe-se claro: a pandemia não é da vontade de Deus, não foi ele que a enviou. Deus não quer sofrimento e a morte. É fruto do modo como a humanidade organiza e encaminha a vida na sociedade. E agora, haverá mais ou menos mortes, dependendo como se encaminham as soluções… Em segundo lugar, tome-se consciência da nossa pequenez e fragilidade: o ser humano quase perde (ou perde parcialmente) a batalha contra um vírus. Que é o ser humano?… Mas cremos que Deus está junto de nós nos acompanhando, pois Ele não nos abandona. É preciso, portanto, perceber os seus sinais e escutar os seus apelos. Estamos em casa, mas nunca estamos sós.

Tendo que ficar em casa como nossa vida ser dom e compromisso nesta hora? Como os cristãos vão realizar o “viu, sentiu compaixão e cuidou dele”? Além da confiança em Deus e de nossa oração por todos os que sofrem desse mal e por quem os cuida, como ser solidários e viver o concretamente o amor fraterno?… O que Deus está nos falando por esta pandemia que pode eliminar até de 1 a 4% da humanidade?… E como ser Igreja e cristãos, diante deste quadro de “caídos à margem da rotina social”?

A correria aos mercados, no primeiro e segundo dias, mostrou egoísmo e ganância. Pessoas que encheram três ou quatro carrinhos de alimentos e produtos de limpeza, sem pensar naqueles que chegariam depois, ou sem dinheiro no momento, esperam comprar suas mercadorias quando receber o salário no início de abril. Outros amontoaram máscaras e álcool gel. Outros insistiam em abrir sua loja ou reclamavam das restrições e proibições, porque “vão diminuir meus lucros”… Ao lado desse “quem pode mais chora menos”, vê-se também muita atitude de comunhão e de ajuda cristã. Felizmente!

Pode ser um tempo novo, de repensar a vida, o ritmo cotidiano, os valores, a espiritualidade e onde investir melhor o tempo. Podemos não perder tempo, mas aproveitá-lo bem: com leituras mais profundas e de melhor conteúdo, não ficar nas informações superficiais e, às vezes, enganadoras, de whatsapp. Pode ser hora de reelaborar a própria história, de reeducar-se, criar novos hábitos, de retomar a veia artística, de reencontrar os fundamentos da espiritualidade, da Palavra e da fé.

Mas é hora de ler melhor a história. Os que mais reclamam que o governo arrecada muito são os primeiros a exigir que o Estado abra o tesouro e envie recursos. Os fanáticos do capitalismo não apelam agora para a iniciativa privada mandar verbas, para o Mercado (o “deus” que regula tudo), mas esperam e cobram do poder público. Agora se percebe que estavam certos os movimentos populares e a Igreja, que discordavam da emenda constitucional 95/2016 (que congelou por 20 anos os investimentos na saúde). Não seria bom ter um SUS mais forte e com mais recursos?… Ou a luta pela vida é assumida por todos, ou fracassaremos frente às crises da humanidade. Ou aprendemos a viver com menos, de modo mais sóbrio, sem esgotar a terra, ou faltarão recursos no planeta que se esgota. Ou aprendemos a viver relações mais humanas com os seres humanos, e mais respeitosas com a natureza, ou afundaremos no abismo da ganância e desigualdade que, aos poucos, nos destruirão de muitas formas.

E há cristãos que reclamam de não haver missa e comunhão num ou mais domingos… Não é o momento de sermos nós “eucaristia”, na solidariedade e amor, e não apenas de “receber a Eucaristia”, geralmente sem compromisso com o Cristo presente nos que sofrem?! Vida é dom também quando mantemos distância, por amor à vida das pessoas, evitando que se contaminem e fiquem doentes!… Mesmo à distância, estamos juntos e em comunhão! Logo logo será melhor!

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