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Postado em 22 de Fevereiro às 10h34

V Campanha da Fraternidade Ecumênica: Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade

Mensagem (19)
Diocese de Chapecó/SC Amados irmãos e irmãs, mais uma vez vos convido a percorrermos juntos o fecundo caminho quaresmal, em preparação à celebração solene da Páscoa de nosso Senhor Jesus...

Amados irmãos e irmãs, mais uma vez vos convido a percorrermos juntos o fecundo caminho quaresmal, em preparação à celebração solene da Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo. É um tempo propício ao recolhimento, ao silêncio, à meditação, à oração, às obras de misericórdia e à penitência.


Novamente estamos atravessando um momento grave e delicado da pandemia do Coronavírus. Em muitos municípios de nossa Diocese as igrejas voltaram a ser fechadas. A vacina começa a chegar, mas custará tempo para que todos sejam vacinados. Nesse contexto é que somos convidados a viver esse tempo quaresmal, considerando a importância da escuta da Palavra de Deus, a vivência dos exercícios espirituais próprios da quaresma e o apelo ao diálogo como compromisso de amor, tal como nos apresenta a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021.

A escuta da Palavra:
O texto da Segunda Carta aos Coríntios, proclamado na Quarta-Feira de Cinzas, destaca o protagonismo de Deus. O apóstolo Paulo coloca a comunidade cristã em posição passiva, suplicando-lhe: “deixai-vos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20). É Deus quem reconcilia, nós precisamos apenas deixar que Ele faça sua obra. Como nos recorda o Papa Francisco, nós não podemos viver a ilusão de “sermos nós os donos dos tempos e modos da nossa conversão a Ele”. Mas é Ele mesmo quem nos impele a buscá-lo neste tempo quaresmal. O tempo de Deus é este! O próprio Apóstolo enfatiza que “é agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6 ,2).
Mas, como permitir que a graça de Deus atue em nós e nos converta? Como abrir espaço para o tempo de graça que Deus nos reservou? O próprio Cristo nos ensina que o caminho para a conversão passa pelas práticas da oração, do jejum e da caridade, realizadas em espírito de humildade. Essas práticas penitenciais não devem ser feitas como protocolos que seguimos “para serem vistos pelos homens” (Mt 6, 5). Ao contrário, são gestos direcionados ao “teu Pai, que vê o que está escondido” (Mt 6, 18). São gestos que demonstram que somos dependentes e necessitados da ajuda do Pai. O verdadeiro sentido das práticas quaresmais consiste em, através delas, reconhecermos a nossa fraqueza e abrirmos espaço para a ação de Deus em nós.
Aproximar-se de Deus pelas práticas penitenciais é ainda mais belo e eficaz quando não o fazemos sozinhos, mas unidos como Igreja, comunidade missionária, como Povo de Deus. Caminhamos juntos, guiados pela Mãe Igreja, ao lado de nossos irmãos e irmãs, santos e pecadores, todos sustentados pela graça divina.

V Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 (CFE)
Neste ano, a Igreja nos chama a atenção para o diálogo e unidade em Cristo. Diálogo é falar e ouvir. Mais do que falar, é ouvir o que Cristo tem a nos dizer em seu Evangelho, em especial, para este tempo de polarização, onde as pessoas expõem o que pensam nos meios de comunicação e agridem aqueles que pensam diferente. Tempo em que se considera como inimigo quem pensa ou age diferente. Pior ainda do que isso, é pensar que o inimigo deve ser eliminado.
É neste contexto que creio que o Espírito Santo iluminou os bispos reunidos em assembleia, para escolherem o lema: “Cristo é a nossa paz, do que era dividido, fez uma unidade” (Cf. Ef. 2, 14a), e o tema: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. Ao falar de unidade e diálogo, a Igreja dá um passo profético, fazendo a Campanha da Fraternidade de forma ecumênica e mostrando que é a primeira a esforçar-se no diálogo com o diferente.


Estabelecer diálogo com o diferente era a maneira de Jesus evangelizar. Senta-se com a samaritana à beira do poço de Jacó (Cf. Jo 4,6-7); aproxima-se da mulher que seria apedrejada por ser encontrada em fragrante adultério (Cf. Jo 8,1-11); chama Mateus, um pecador público, para segui-lo (Cf. Mt 9 9-13); pede para fazer a refeição na casa de Zaqueu, o pecador (Cf. 19,1-10); ensina que não veio para os sãos, mas para os enfermos, não veio para os justos, mas para os pecadores (Cf. Mt 9,11-13); ensinou a ir ao encontro da ovelha perdida (Cf. Lc 15); na hora de sua morte acolhe o ladrão no Paraíso (Cf. Lc 23,43). A unidade não está naqueles que pensam igual ou diferente de mim, a unidade está em Cristo, Ele fez e faz a unidade.
Querido povo de Deus da Diocese de Chapecó, entremos nesse tempo de quaresma, tempo de graça e misericórdia, como discípulos missionários e missionárias, seguindo os passos do Mestre Jesus.
Uma abençoada e frutuosa quaresma a nós todos!

Dom Odelir José Magri, MCCJ

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