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Postado em 13 de Junho às 08h53

"Santo Antônio e a caridade", reflexão de dom Odelir Magri

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Diocese de Chapecó/SC “A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre.” O mês de junho apresenta um ciclo de santos populares que constituem os padroeiros de muitas de...

“A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre.”

O mês de junho apresenta um ciclo de santos populares que constituem os padroeiros de muitas de nossas paróquias e comunidades cristãs, favorecendo um aumento do fervor religioso e festas de devoção. No dia 13, celebramos tradicionalmente a festa de Santo Antônio. Santo muito querido e muito amado em todo o mundo e, mais particularmente, em nossa Diocese de Chapecó, da qual é também o padroeiro.

Contemplando a figura emblemática de Santo Antônio, descobrimos em primeiro lugar um gigante da fé, que soube pautar a sua vida, desde criança, por uma busca constante de Deus e da fidelidade ao seu chamado.

Este homem de fé tinha no coração amor e paixão pelo Reino de Deus, pelo cuidado da vida, da vida na sua realidade mais sofrida e fragilizada. Ele anunciou com vigor a Palavra de Deus e insistia nas suas pregações que a fé deveria ser manifestada necessariamente em obras de caridade. “A caridade é a alma da fé, é o que a torna viva; sem o amor, a fé morre”, assim escreveu Antônio nos Sermões Dominicais e Festivos II.

Testemunhou também uma fé comprometida e atuante ao lutar pela aprovação da lei que eliminava a escravidão por dívidas, e combateu os juros escorchantes dos banqueiros que atormentavam os pequenos. Tornou-se um pregador ungido, microfone de Deus, arauto da Palavra, que convocava para a conversão de vida, restauração dos costumes e vivência da caridade cristã.

Hoje, vivemos numa sociedade marcada pelo excesso de consumo e pelo desperdício de alimentos em todas as realidades. A abundância talvez tenha esfriado o nosso coração para a sensibilidade com os últimos ou os necessitados, mesmo que temporariamente, devido à realidade pela qual passa o nosso país, onde muitos começam o dia em busca de um trabalho, e tantos outros encerram o dia sem saber o que vão fazer no dia seguinte.

Nesse sentido, como não se lembrar das palavras do Papa Francisco na celebração do primeiro Dia Mundial dos Pobres (novembro de 2017), na celebração da santa missa para cerca de sete mil pobres na Basílica de São Pedro? Ele afirmou que "a omissão é também o grande pecado em que os pobres ficam mais afetados" e ele a chamou de "indiferença". "Acontece quando dizemos: ‘Isso não me concerne; não é da minha conta; é um problema da sociedade’. Acontece quando nos afastamos de um irmão ou irmã necessitada, quando ficamos indignados com o mal, mas não fazemos nada sobre isso. Deus não nos perguntará se sentimos uma indignação justa, mas se fizemos algum bem".

Livra-nos, Senhor, do pecado da indiferença. Que as celebrações das novenas ou trezenas na preparação para a festa de Santo Antônio e a escuta da Palavra alimentem sempre a nossa fome do pão da vida, Cristo Jesus, e nos levem a praticarmos a caridade e a partilha do pão material, para cuidarmos da dignidade de vida dos nossos irmãos e irmãs no mesmo Cristo Jesus.

Anunciar o Reino de Deus e a sua justiça, através da pregação da Palavra de Deus, consumiu a vida de Santo Antônio, mas deu vida nova a muitas pessoas, que tiveram a graça de renascer na fé por meio das obras de caridade. Ajudou as pessoas a crescerem na comunhão com o Senhor da vida, a partir da comunhão e da partilha com os pobres e necessitados do seu tempo.

Que Santo Antônio fortaleça e ilumine nossa fé, empenhando-nos como sujeitos e protagonistas de uma Igreja peregrina, missionária, simples e pobre com os pobres, em comunhão com os anseios do Papa Francisco.

Dom Odelir José Magri, MCCJ
Bispo diocesano de Chapecó
 

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