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Postado em 04 de Março às 10h55

QUARESMA E MISSÃO - Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso

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Diocese de Chapecó/SC Iniciamos o caminho para a Páscoa. O nosso peregrinar torna-se mais intenso ao contemplar, a partir de agora, o Mistério que nos restaurou a vida, o Mistério da nossa reconciliação com...

Iniciamos o caminho para a Páscoa. O nosso peregrinar torna-se mais intenso ao contemplar, a partir de agora, o Mistério que nos restaurou a vida, o Mistério da nossa reconciliação com Deus por meio de Cristo Jesus, que padeceu, morreu e ressuscitou pelos nossos pecados.

A nossa preparação faz-se a caminhar, e todo o caminhar implica uma partida, uma saída. Como a de Abraão, como a dos profetas, como a de qualquer um daqueles que um dia, na Galileia, se puseram em marcha para seguir Jesus. A história do povo de Deus e da Igreja está marcada desde a sua origem pela ruptura, a partida, o colocar-se a caminho: Abraão, Moisés, Elias, Jonas, Rute, São Paulo, Sto. Antônio, o grande pai dos monges, Francisco, São Daniel Comboni, o apóstolo d a África, Santa Dulce dos Pobres, Teresa de Jesus e tantos outros. A intuição, resposta à graça destes grandes discípulos missionários/as, tornou fecunda as suas vidas e alimentou com o seu espírito o caminho da Igreja durante muitos séculos.

Esta característica, não simplesmente geográfica, tem muito de simbólico: é um convite a descobrir na itinerância o movimento do coração que, paradoxalmente, precisa sair para poder permanecer, mudar para ser fiel.

Sem dúvida que os tempos mudam e as situações não voltam a se repetir, mas as formas de enfrentar a vida têm traços muito comuns, e isso pode converter-se em fonte constante de inspiração e sabedoria para encarar a nossa vida e realidade atual.

Gostaria de vos pedir para vivermos intensamente este tempo de Quaresma com as mesmas atitudes que alimentaram a vida de tantos filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas, que se colocaram a caminho no seguimento de Jesus. Ser Igreja em marcha, missionária, Igreja orante, penitente e adoradora, para que a graça da Páscoa se derrame abundantemente sobre todos nós e todo o santo povo de Deus.

Quaresma é também um tempo missionariamente forte, pois quem se coloca em processo de conversão torna-se discípulo missionário/missionária de Jesus. O Papa João Paulo II dizia que “o verdadeiro missionário é santo” (RMi 90), isto é, aquele que é amigo de Jesus e se esforça para seguir seus passos e assumir o seu projeto de vida.

Como também é verdade o contrário: o cristão que não leva a serio sua fé é um anti-missionário, um contra testemunho, assim como afirma este refrão de um canto que conhecemos bem: “quem não te aceita, quem te rejeita, pode não crer por ver cristãos que vivem mal”.

A Campanha da Fraternidade (CF) é o modo com o qual a Igreja no Brasil procura nos ajudar a viver a Quaresma como tempo de colocar-se a caminho, tempo de saída, de conversão. Há mais de cinco décadas, ela anuncia a importância de não se separar conversão e serviço à sociedade e ao planeta. A cada ano, um tema é destacado, assim, a Campanha da Fraternidade já refletiu sobre realidades muito próximas do dia a dia da vida dos brasileiros: família, políticas públicas, saúde, trabalho, educação, moradia e violência, entre outros enfoques.

Este ano a CF nos convida, por meio de seu texto-base, a olhar de modo mais atento e detalhado para a vida. Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa casa comum.

O texto-base convida a um olhar que se eleva para Deus, no mais profundo espírito quaresmal, e volta-se também para os irmãos e irmãs, identificando a criação como presente amoroso do Pai. No texto, a presidência da CNBB afirma que a Campanha será uma motivação para olhar transversalmente as diversas realidades, interpelando a todos ao respeito do sentido que, na prática, se atribui à vida, nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social e ecológica.

“Não se pode viver a vida passando ao largo das dores dos irmãos e irmãs”, diz um trecho do texto base. Ver, sentir, compaixão e cuidar são os verbos de ação que irão conduzir este tempo quaresmal. Para isso, o texto-base, convida que cada pessoa, cada grupo pastoral, movimento, associação, Igreja Particular e o Brasil inteiro, motivados pela Campanha da Fraternidade, possam ver fortalecida a revolução do cuidado, do zelo, da preocupação mútua e, portanto, da fraternidade.

Tratemos de caminhar este ano com o olhar erguido e atento do samaritano: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. Como pequenas comunidades eclesiais missionárias, desloquemo-nos sem medo para as periferias, a todos os cantos, enviados pelo Deus da Vida. Que este caminhar nos leve ao encontro da vida machucada e ferida pelas situações de violência contra a mulher, contra os jovens, contra as pessoas idosas; outros irmãos e irmãs marcados pelo sofrimento psíquico, a dor dos imigrantes e também no sofrimento da casa comum, o planeta terra.

Enfim, não temamos de nos sentirmos pequenos diante dos desafios e problemas. Lembremo-nos de Santa Dulce dos Pobres, mulher frágil no corpo, mas fortaleza peregrinante pelas terras de São Salvador da Bahia. Assim também nós, especialmente durante este tempo de quaresma, possamos VER, NOS COMPADECER E CUIDAR da vida, nestas terras abençoadas da Diocese de Chapecó.

Que Jesus vos abençoe e a Virgem Mãe Aparecida cuide de vocês.
Meus sinceros votos de uma frutuosa e abençoada quaresma!

Dom Odelir José, MCCJ
Bispo diocesano de Chapecó

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