Aba 1

Postado em 24 de Fevereiro às 12h14

QUARESMA: CAMINHO E OPORTUNIDADE PARA CONSTRUIRMOS O MUNDO QUE DEUS REALMENTE QUER

Geral (36)

Marcada por um período intenso de oração, jejum e caridade, a Quaresma nos proporciona refazer o caminho de Jesus, retomando o nosso batismo, rumo à Páscoa, mistério fundamental de nossa fé. É uma oportunidade para comprometermo-nos na construção do mundo como realmente Deus quer: mundo de justiça, paz e fraternidade. Cada momento e cada celebração, portanto, devem ser forte experiência de êxodo, de passagem da escravidão para a liberdade, do individualismo para a solidariedade.

Quaresma como caminho catecumenal

Durante quarenta dias, a Quaresma nos ajuda a reviver a experiência do povo de Deus, que amadureceu sua fé na travessia do deserto, e a experiência de Jesus que, após intenso tempo de oração e jejum no deserto, assume sua missão com total entrega. Esse caminho para nós, cristãos, porém, não pode cessar logo após a passagem deste tempo forte. Ele é um processo contínuo, para a vida inteira. Por isso dizemos que a quaresma é também um caminho catecumenal.

Neste tempo favorável de busca e aprofundamento de nossa vocação de discípulos/as missionários/as de Cristo, assumimos percorrer, com Ele, o caminho que passa necessariamente pelas mais diversas tensões e tentações, caminho de total doação até a cruz, em fidelidade ao projeto do Pai.

A cada passo, vamos recebendo o vigor, a iluminação, a ternura e a alegria do seu Espírito para proclamarmos a vitória da vida, enquanto lutamos contra todas as formas de idolatria, violência, exploração, injustiça e morte, que, dolorosamente, persistem em nosso mundo, dominam, escravizam e degradam nossa condição humana frágil e pecadora.

Quaresma como caminho de reconciliação

A Quaresma, no seu conjunto ritual, é um grande sacramento de conversão e reconciliação, mediante o qual participamos na fé do mistério de Cristo que, vencendo as tentações, escolhe a atitude da compaixão e do amor incondicional, como servo humilde e sofredor, até a cruz. Mais do que uma preparação penitencial da Páscoa, a Quaresma constitui um ensaio da vida nova, pelo qual toda a Igreja é convocada a deixar-se “purificar do velho fermento para ser uma massa nova, levedada pela verdade” (cf. 1Cor 5,7-8).

Tomando uma atitude contra o consumismo, o jejum como autodomínio sobre nossa alimentação, nossas palavras, nossos sentimentos, nossos atos, ouvindo e acolhendo sua Palavra sempre viva e eficaz, dedicando mais tempo à oração, vamos fortalecendo as razões de nossa esperança e, assumindo a prática do perdão, da justiça, da misericórdia, da solidariedade, o verdadeiro e mais agradável jejum: “desatar os laços da maldade, desamarrar as correias do jugo, dar liberdade aos encurvados…” (cf. Is 58,6-7), como compromisso de “volta ao primeiro amor” (Ap 2,4), selado na fonte batismal.

Nossa vida torna-se, então, uma oferta de louvor, um sacrifício espiritual que apresentamos continuamente ao Pai, em união com Jesus, o Servo sofredor e pobre.

Quaresma como caminho de conversão para a fraternidade

O Concílio Ecumênico Vaticano II recorda que “a penitência quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social” (Documento Sacrosanctum Concilium, 110). Esta exigência, como passo fundamental na caminhada pascal, é assumida por nós na Campanha da Fraternidade, que sempre nos pede conversão e solidariedade em situações bem concretas de nossa realidade, ainda marcada por extremado individualismo, por competição desmedida, pela “tirania do dinheiro”, pelo “capitalismo selvagem” e pela “globalização da indiferença”, como nos alerta continuamente o Papa Francisco.

Como sacramento pascal, a Quaresma nos chama à reconciliação e à mudança de vida, assumindo a busca da humanidade inteira por libertação, justiça, dignidade, reconciliação e paz. Alargamos o nosso coração, ouvindo de Deus o clamor, que anseia por direito e justiça, aguardando a manifestação de seus filhos e filhas.

Quaresma como caminho litúrgico

Neste tempo quaresmal a liturgia é uma oportunidade para vivermos bem esse caminho. Por isso, o ambiente celebrativo deve ser sóbrio: cor roxa, sem flores, destacando o altar, a mesa da Palavra e a fonte batismal. Também silenciamos o canto do glória e do aleluia, para retomá-los na Quinta-feira Santa e na Vigília Pascal.

O cartaz com o tema e o lema da Campanha da Fraternidade poderá, na medida do possível, ser ampliado e colocado em lugar onde possa ser bem visualizado. Não é aconselhável fixá-lo no altar ou na mesa da Palavra.

A Cruz ganha destaque

O ato penitencial poderá receber também um destaque maior como anúncio da misericórdia de Deus e de apelo à conversão, ligado com a realidade da vida, especialmente com a Campanha da Fraternidade.

Os cantos da Quaresma devem nos ajudar a contemplar e viver o mistério pascal do Cristo em nossa realidade.

Quaresma como caminho comunitário de compromisso

Assim, a Quaresma será um caminhar pascal comunitário, progressivo e amoroso das trevas para a luz, da morte para a vida, da escravidão para a liberdade dos filhos e filhas de Deus. Que esse compromisso nos leve a gestos concretos em relação à realidade da qual somos convidados a darmos nossa contribuição.


Organização e contribuição: Pe. Itamar A. Belebom | Formador Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção.
Texto: Maria de Lourdes Zavarez  | Mestre em Liturgia e membro da Equipe Rede Celebra

 

Publicado no JD de fevereiro de 2019

Veja também

Bispos reunidos na 56ª Assembleia Ordinária enviam uma mensagem ao Povo de Deus20/04/18 O cardeal Sergio da Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) falou aos jornalistas reunidos na Coletiva de Imprensa da 56ª Assembleia Geral da entidade, na tarde do dia 19 de abril, e pediu a dom Murilo Krieger, vice-presidente que lesse a mensagem da conferência ao povo de Deus. O documento registra a comunhão do episcopado brasileiro com o papa Francisco e......
Retiro dos padres diocesanos é realizado em Francisco Beltrão 24/09/18 De 17 a 19 de setembro do corrente ano, aconteceu, em Francisco Beltrão, o retiro dos padres diocesanos de Chapecó. Dom Edgar Ertl, SAC, bispo diocesano de Palmas-Francisco Beltrão, orientou esse momento de reflexão e......
ASDI apresenta balanço anual e elege nova diretoria 04/04/18 Nesta terça-feira, 03 de abril, a Ação Social Diocesana (ASDI) esteve em Assembleia na cúria de Chapecó. Na pauta a prestação de contas e balanço anual de 2017, apresentado pela contadora da diocese,......

Voltar para Notícias