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Postado em 06 de Março às 15h46

Quaresma: caminho de conversão

Diocese de Chapecó/SC Aproveito esta breve reflexão para retomar algumas marcas da quaresma. Tempo litúrgico que iremos vivenciar a partir da Quarta-Feira de Cinzas (dia 06 de março). Quaresma é tempo...

Aproveito esta breve reflexão para retomar algumas marcas da quaresma. Tempo litúrgico que iremos vivenciar a partir da Quarta-Feira de Cinzas (dia 06 de março). Quaresma é tempo litúrgico forte de reconstrução de si e da comunidade; tempo que coloca em questão a razão de ser da vida. Para que vivemos? Sobre o que está fundamentada a nossa vida? Para onde caminhamos?

Nesse sentido dizemos que quaresma é um tempo forte de conversão. Para isso ela tem sua linguagem, sua celebração, seus exercícios e seus ritos de conversão.
Na perspectiva inaciana, conversão não é simples mudança exterior no modo de ser e agir, mas “mudança de senhor”; quaresma é tempo de troca de comando, tempo forte para consultar o interior e verificar qual é o “senhor” que move o nosso coração. É neste contexto de conversão que se situam as práticas quaresmais: oração, jejum e esmola.

Através de uma vivência mais radical dessas práticas, começa a acontecer um deslocamento dos “falsos senhores” que habitam o nosso coração e, ao mesmo tempo, amplia-se o espaço interior para a presença e ação do “verdadeiro Senhor”.

A oração, o jejum e a esmola são como um resumo da vida cristã. Condensam o sentido da vida. A vida é um mergulho no mistério de Deus (oração), um abrir-se aos outros (esmola) e capacidade de ordenar e dirigir a própria existência (jejum). Tais “exercícios quaresmais” só têm sentido se nos levam a uma identificação com Jesus Cristo, são exercícios que alimentam e sustentam nosso seguimento de Jesus como único Senhor da nossa vida.

A ORAÇÃO: toda a nossa vida deveria ser uma oração, ou seja, um “encontro” com Deus em todas as coisas e em todas as circunstâncias. A oração é passar do vazio de si à plenitude em Deus. Descentrada de si mesma, a pessoa deixa-se conduzir pela ação providente de Deus. Na quaresma, a Igreja evoca o Cristo em oração diante do Pai no deserto e nas montanhas.

O JEJUM: é a capacidade de “ordenar” a própria vida para um fim (serviço e louvor de Deus); ao mesmo tempo, é expressão de solidariedade e comunhão com os outros: é um chamado à partilha. Na tradição dos Padres do Deserto, o jejum é o meio que nos possibilita criar um “espaço vazio” no qual o Espírito possa repousar, permitindo-nos distinguir o essencial do supérfluo.

A ESMOLA: atinge o relacionamento com o próximo na virtude teologal da caridade. O ser humano recebeu tudo de seu Criador; tudo é dom para todos. Neste sentido, a esmola significa a atitude de doação gratuita, de serviço ao próximo com generosidade e desprendimento. É viver a partilha não só de bens materiais, mas partilhar o tempo, o interesse, o serviço, a aceitação, a corresponsabilidade no cuidado da casa comum.

Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. Um caminho pessoal, comunitário e social que visibiliza a salvação paterna de Deus. Fraternidade e Políticas Públicas é o tema da Campanha da Fraternidade de 2019. O profeta Isaías inspira o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).

Como discípulos missionários de Jesus Cristo, devemos agir como Ele: passar por esse mundo buscando o bem de todos e todas (cf. At 10,38).
Com a força e a graça de Deus possamos viver intensamente este tempo de graça quaresmal.

Um forte abraço e a minha bênção.

Dom Odelir José Magri, MCCJ

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