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Postado em 29 de Agosto às 10h45

Palavra do Bispo - Setembro 2019

Mensagem (15)Diocese (26)


A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja

“Assim como a chuva e a neve descem do céu, não voltam para lá, senão depois de molhar a terra, de a fecundar e fazer germinar (...), o mesmo sucede com a palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia sem ter realizado a Minha Vontade e sem cumprir a sua missão.” (Is 55, 10-11)
Agosto foi mês das vocações, setembro é mês da Bíblia, outubro será mês das missões. Assim segue o ano pastoral no Brasil, destacando aspectos da vida e missão da Igreja. Em 2019, o mês da Bíblia tem como tema: O Amor em defesa da vida. E como lema: Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (1Jo 4,19). O tema foi escolhido a partir da proposta pastoral do Documento de Aparecida para os anos 2012 a 2019: “Ser discípulos Missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida”.
Embora a temática de cada mês seja específica, elas estão em perfeita relação. De fato, é a Palavra de Deus que nos apresenta a missão da Igreja como continuação da missão de Jesus Cristo, Palavra eterna do Pai, encarnada na nossa história. A Igreja vive da Palavra e vive para a missão, isto é, por escutar, na Palavra que Deus enviou, seu Filho e seu Espírito (cf. Gl 4,4-6) e que, assim como o Pai enviou o seu Filho, este nos envia também (cf. Jo 20,21), ela encontra o fundamento de sua missão na revelação da missão do Filho e do Espírito.

A missão da Igreja é a missão de Jesus
Na verdade, só existe a missão da Igreja porque existe a missão do Filho. Isto é, somente porque Jesus foi enviado pelo Pai no poder do Espírito é que podemos ser também enviados. E isto vale também para o Antigo Testamento: os patriarcas, os profetas, os sábios, todos eles viveram a missão de povo de Deus em vista da missão do Filho. Deus agiu no povo de Israel para preparar este povo para o momento de sua revelação em Jesus Cristo, enviado pelo Pai.
O discípulo missionário viverá sempre da Palavra. A missão não é uma simples função nem se trata simplesmente de uma tarefa a ser executada. Por conseguinte, é imprescindível que o discípulo missionário seja uma pessoa que cultive uma atitude de escuta da Palavra, pois a palavra do missionário deve ser a Palavra daquele que o envia.
O nosso grande exemplo é o próprio Jesus: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’, e que nada faço por mim mesmo, mas falo apenas aquilo que o Pai me ensinou” (Jo 8,28). O missionário é, portanto, aquele que ouve aquilo que o Pai ensinou ao seu Filho, isto é, a revelação de sua ternura e de seu amor. De acordo com o Documento de Aparecida, o missionário é aquele que vive da relação com Deus. Novamente, é o mesmo Jesus que afirma: “Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim” (Jo 6,57). Viver por meio de Jesus e ser enviado por Ele é a mesma coisa. Ser missionário é ser enviado por Deus para que viva por meio de Cristo. Esta relação entre ser em Cristo e ser enviado é algo fundamental para se entender a missão.

Ser missionário/a é viver da Palavra
Somente na escuta da Palavra, na abertura de coração para deixá-la entrar e criar suas raízes ou deixar que ela semeie na terra fértil de nosso coração, é possível ser missionário. Nós vivemos desta ação de Deus de dirigir sua Palavra até nós. Deus envia sua Palavra e ela vem com seu Espírito. Eis o que meditamos nestes meses e o que deve permanecer em nossos corações para que vivamos a missão que nos foi confiada. Não esqueçamos também que a missão nunca é uma posse nossa, mas um dom oferecido a nós. E, como ela consiste na vida em comunhão com a Palavra, é necessário que vivamos, não mais para nós, mas para ele, Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou (2Cor 5,15;cf. Oração Eucarística IV). “Sejam missionários!” É o convite de Cristo a todos nós.
Nas comunidades, o povo se reúne para ler, meditar, rezar e contemplar a Palavra. O que é lido e meditado é depois transformado em oração e ação. Os grupos de reflexão e, especialmente a família, também constitui um excelente espaço para partilhar o que Deus quer nos dizer através dos textos bíblicos. Os vários movimentos eclesiais, as pastorais, todos devem colocar a Palavra de Deus no centro de suas reflexões e orações. E para ser uma ‘Igreja em saída’ precisamos cultivar sempre a atitude de escuta da Palavra, própria daqueles e aquelas que querem se tornar cada vez mais discípulos missionários de Jesus de Nazaré.

Esse é o caminho confirmado nas atuais Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: “O contato intensivo, vivencial e orante com a Palavra de Deus confere à reunião da comunidade um caráter de formação discipular. O importante é o encontro com a Palavra que muda a vida e dá sentido ao ser e agir de quem é cristão, corrigindo posturas e aderindo ao modo de ser, de pensar e de agir de Jesus Cristo. O Evangelho passa a ser o critério decisivo para o discernimento em vista da vivência cristã”. (DGAE, 2019–2023, n.92). Em outras palavras: necessitamos da “Bíblia na mão” e da “Palavra de Deus no coração” para ter os “pés na missão”. E que assim seja!

Dom Odelir José Magri, MCCJ

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