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Postado em 26 de Julho às 15h10

Palavra do Bispo - Julho 2019

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SE O CORAÇÃO NÃO ARDE, OS PÉS NÃO ANDAM

Diocese de Chapecó/SC SE O CORAÇÃO NÃO ARDE, OS PÉS NÃO ANDAM “Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32) O Papa Francisco, desde o...


“Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)


O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, tem-nos provocado a sermos uma Igreja em saída, próxima às pessoas. Percebe-se que o coração dos cristãos tem aquecido cada dia mais na disponibilidade em cultivar uma profunda “paixão por Jesus Cristo e simultaneamente pelo seu povo” (EG 268). Essa alegria cresce com a leitura dos escritos (Evangelii Gaudium, Gaudete et Exsultate, Christus Vivit e a Carta Encíclica Laudato Si), sempre na perspectiva de construir pontes que integram e levam às periferias geográficas e existenciais da vida. 

Nas últimas duas assembleias das Pontifícias Obras Missionárias, Francisco pediu mais paixão e ardor missionário: “Vos peço, por favor, zero burocracia e menos administração. Mais paixão, mais anúncio do Evangelho e mais amor”. O conteúdo para a Igreja em saída é o Evangelho. Não são apenas ideias, mas o encontro com a pessoa de Jesus Cristo que dá novo horizonte à nossa vida. A presença de Jesus inaugura um novo tempo marcado pela alegria que é traço constitutivo do Evangelho. A falta de alegria desfigura a beleza da mensagem.


É preciso, portanto, vencer as tentações do acomodamento rotineiro. É urgente romper com os vícios que o Santo Padre tem frequentemente apontado: o clericalismo que nos fecha em nós mesmos, o carreirismo pessoal, que no seu discurso à Cúria Romana, em dezembro de 2013, o Papa descreve como “um desejo entranhado de poder e prestígio que pode ser uma tentação para todos nós”, pois transforma a Igreja em uma empresa e não em missão do Evangelho. Ou ainda, estar atentos ao que o Papa chama de tentações do agente de pastoral: a autorreferencialidade, o mundanismo espiritual, o individualismo, a rigidez, as vaidades ao se iludir de que a missão é nossa e depende somente de nós.

A saída, que o Papa propõe para a Igreja, não é a saída de uma Igreja triunfante e poderosa que sai para conquistar o mundo. Não é essa a missão. Se for de acordo com Jesus, a missão é Kenosis, é esvaziar-se para servir. “Ele esvaziou-se a si mesmo e tomou a condição de servo” (Fl 2,5ss). Assim sendo, “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída” não pode ser apenas um tema a mais, um assunto de moda, escolhido ou preferido entre outros. Mas é uma palavra de ordem que escutamos do Papa Francisco. Esse tema é como a tradução nova do chamado de Jesus aos discípulos: “Vem e segue-me”.


Por isso, no contexto do ano jubilar de nossa Diocese e no processo da 10ª ADP, desejo fazer um apelo, um pedido de pai e de pastor, a cada filho e filha de Deus de nossa Diocese: Por favor, a alegria do Evangelho e Igreja em saída não podem ser palavras repetidas sem profundidade aqui e ali, que não chegam a mudar nada em nossa vida concreta, nem nosso jeito de ser Igreja. Não pode ser assim. Não deixemos que seja assim!


Ao contrário, viver profundamente a alegria do Evangelho para uma Igreja em saída expressa o núcleo central do que acreditamos ser nossa missão de cristãos. O Evangelho é para ser vivido e experienciado como Boa Notícia do Reino de Deus, isso é, que o projeto divino comece mesmo neste mundo, aqui e agora. Esse caminho de saída, se expressa na experiência de uma Igreja de comunhão e participação: caminhar juntos para uma Igreja em saída. A missão é tarefa eclesial, não está restrita a um grupo, a uma pastoral ou a um movimento. Missão não é tarefa de algumas pessoas apenas, mas identidade e essência de toda a Igreja. Neste mês de julho, iniciaremos a segunda etapa do processo da 10ª Assembleia Diocesana de Pastoral, tempo oportuno para acolhermos as propostas, apelos e desafios do processo de ESCUTA que aconteceu em nossas paróquias e comunidades.


A partir dos frutos colhidos nesta primeira etapa, à luz da Palavra de Deus e também das Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, as nove pré-assembleias regionais deverão ajudar a colocar os fundamentos na construção do nosso Plano de Pastoral Diocesano para o próximo quadriênio. A meta é que nossa Diocese se torne cada vez mais rede de comunidades de discípulos missionários do Senhor Jesus, “Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Missão”, a serviço da alegria do Evangelho do Mestre, testemunhando e fortalecendo o Reino de Deus, rumo à sua plenitude. Avancemos! Somos missionários e missionárias, aqui e agora, em nossas comunidades e além das nossas fronteiras, onde o Senhor nos levar.Testemunhas da alegria do Evangelho e também da cruz de Cristo no sofrimento do povo de Deus, em um cenário marcado por contradições que exigem respostas aos novos desafios da missão.

Avancemos com uma fé ardente e testemunho profético. Estejamos certos de que se o coração não arde, os pés não andam.

Que Santo Antônio, nosso padroeiro, e a Mãe peregrina, Nossa Senhora Aparecida, nos guiem nos caminhos da missão.

Dom Odelir José Magri, MCCJ



 

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