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Postado em 20 de Dezembro de 2018 às 14h47

Padre Romualdo Zimmer celebra 60 anos de ordenação

Diocese de Chapecó/SC Nesta quinta-feira, 20 de dezembro, o padre diocesano Romualdo Zimmer celebrará uma missa em ação de graças pelos seus 60 anos de ordenação. A celebraçaõ será...

Nesta quinta-feira, 20 de dezembro, o padre diocesano Romualdo Zimmer celebrará uma missa em ação de graças pelos seus 60 anos de ordenação. A celebraçaõ será as 19h, na Igreja Matriz de São José do Cedro.

Pe. Romualdo é um dos pilares da Igreja diocesana de Chapecó que em 2019 também celebrará 60 anos de caminhada. Ele, que viu a diocese nascer, é testemunha de uma Igreja em formação e até hoje dá vida a esta história de alegria e perseverança ao projeto de Deus. Abaixo retomamos alguns trechos sobre sua vida em entrevista concedida ao Jornal Diocesano, onde o mesmo fala de sua vocação e marcas da diocese. 


Sobre a vocação
Falar da vocação é falar de Deus. Falar de Deus é falar do amor, da vida e da história. Um Deus que caminha com seus filhos e filhas. Mistura a sua vida com a vida delas e deles. Nisto, a Bíblia é sempre espe-lho. Nela, nos descobrimos caminhando com Ele. Nela, descobrimos o Deus da história, pois ela narra os feitos de Deus na vida de seu povo. É a história de fidelidade e infidelidade do Povo de Deus e nossa. É o livro da fé de Israel, o alimento de sua esperança. Ela narra os chamados de Deus para ajudar a caminhada do povo.
Deus sempre foi criativo. Prepara o terreno. Prepara a pessoa. Mostra carinho. Incentiva pela alegria... No meu caso, um menino de família simples, oriunda do Rio Grande do Sul, que mora perto da igreja. Vive a vida normal de uma família. Têm exemplo, especialmente da mãe, que vai todas manhãs à missa. O con-tanto constante com a igreja e casa paroquial. Aos nove anos já é coroinha. Na alegria da convivência com os amigos em torno do altar e na amizade com o padre, Deus plantou a semente do chamado.

A família e a comunidade cristãs ajudaram no discernimento vocacional?
A reza diária em família, a ida do irmão mais velho para o Seminário, a participação constante na comuni-dade foram cultivando e amadurecendo a semente inicial da vocação. A decisão de ir para o Seminário foi mais um passo. O discernimento aconteceu graças à oração e direção espiritual durante toda a caminhada de Seminário Menor e Maior. O diaconato e o Presbiterato foram o SIM decisivo.

Por que ser padre diocesano e na Diocese de Chapecó?
Quando a gente olha para o passado, sempre percebe que Deus esteve presente em nossos caminhos e, nós nos caminhos dele. Na época não existia diocese no Oeste catarinense. Era terra de missão. Pertencíamos à “Prelazia de Palmas” no Paraná, que abrangia o oeste paranaense e catarinense. O Administrador Apostóli-co era o Prelado Monsenhor Frei Carlos Eduardo Sabóia Bandeira de Mello OFM. Em 1939 ou 1940 ele veio a São Carlos e durante a missa fez sentir a necessidade ao povo de rezar pelas vocações, pois a Prelazia ti-nha pouquíssimos padres. Comunicou que estava iniciando um pequeno Seminário em sua própria casa. Como fruto deste primeiro contato, o meu irmão foi para o Seminário de Palmas, sendo um entre os primei-ros seminaristas. Em 1942, com 11 anos incompletos, segui também para o Seminário.
O movimento para a criação de diocese surgiu na década de 50. Já era conversa constante entre os se-minaristas filósofos e teólogos da época. Procurávamos ter notícias com o Pe. Luiz Heinen que fora encarre-gado pela Nunciatura Apostólica para organizar o patrimônio para a criação das duas novas dioceses: Palmas e Chapecó. Quando, em janeiro de 1958 veio a notícia da criação das dioceses soubemos que na Bula Apos-tólica constava que os seminaristas pertenceriam à diocese na qual seus pais estavam residindo. O desejo se realizou com a criação da diocese de Chapecó.

Viveste o antes e o depois do Vaticano II. A Diocese está hoje longe ou perto de ser Igreja de comunhão e participação?

Comunhão e participação é a proposta feliz dos bispos da América Latina. no Documento de Puebla nº 327, como ideal a ser buscado sempre por nossa Igreja. É a comunhão de esforços, de intenções, de corações e partici-pação de todos na construção de uma Igreja de irmãos e irmãs, servidora numa sociedade inteiramente nova, libertada. Sabemos que toda a mudança histórica não é realizada de um dia para o outro. É o resultado de um processo que amadurece através de movimentos. No caso do Concilio Vat. II, alguns movimentos o precederam e fizeram desabrochar: O Movimento Bíblico, o Litúrgico, o Patrístico, o Ecumênico, o Missiológico, Catequético, à Ação Católica, etc... Nossa Diocese já fez uma boa caminhada procurando entender que ”ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não ama o irmão a quem vê” (1 Jo 4,20) Há outras coisas bonitas acontecendo: Conselhos de pastoral, comunidades comprometidas com muitas lideranças e ministérios, assembleias, comunitárias, paroquiais e diocesanas, equipes paroquiais de pastoral etc. Tudo isso é sinal que aponta para maior Comunhão e Participação. Temos ainda muito a fazer, a crescer, a unir e amar, com a graça, a presença do Senhor e seu Espírito.

O que dizer sobre este tempo de graça para ti e também para a diocese:

A Diocese de Chapecó nasceu sob os auspícios de ser um celeiro de vocações sacerdotais e religiosas. Com a graça de Deus, tive o privilégio de ajudar a dar os primeiros passos na organização da Pia Obra das Vocações Sacerdotais e Religiosas, nas Capelinhas de Nossa Senhora com objetivo vocacional, e colaborar com o Secretariado Diocesano de Vocações, e ainda junto com Pe. Adair M. Tedesco iniciar o Seminário Diocesano.

Todos nós, Padres, religiosos e religiosas, lideranças, animadores e animadoras vocacionais, e cada cristão e cristã, temos compromisso com o Reino de Deus. Sabemos que a vocação é dom, é graça. Mas também sabemos, com os antigos teólogos: “a graça supõe a natureza”. Por isso, é tarefa e empenho nosso, preparar o terreno, criar ambiente propício, ter motivações apropriadas, especialmente dar testemunho e re-zar muito para que o chamado.do Espírito do Senhor seja acolhido.

Pode elencar algumas alegrias durante estes anos de serviço à Igreja?
Foram muitas as alegrias. Impulsionaram fé, coragem, força, e enobreceram cada pessoa que partici-pou da nossa caminhada. Enumero apenas algumas:
A Ordenação presbiteral, a primeira missa na terral natal, foram o início. Depois, tantas outras que fi-zeram parte da vida, pois a alegria está na entrada de tudo o que é ordinário, simples e humilde.  Marcou profundamente a celebração do primeiro casamento. Era no interior da paróquia. A Igreja, era um punhado de gente pobre, reunida na alegria da presença do padre, em torno de uma mesa capenga, à sombra de uma árvore, perto de um rancho de pau a pique. Os noivos, simples, humildes, felicíssimos. A alegria não era apenas o sorriso nos lábios, mas nos olhos e no coração. Foi contagiante. Uma celebração alegre, cheia de fé simples e humilde.

As alegrias do início do Seminário Diocesano em Lindóia. Depois, com o Concílio Vaticano II, as pri-meiras experiências litúrgicas. Ao apelo de Dom José Gomes, fizemos a experiência da preparação do pri-meiro grupo dos Ministros extraordinários da Comunhão e Palavra da diocese, no Setor Itaberaba, Paróquia Santo Antonio da Catedral de Chapecó.
As experiências das Equipes Paroquiais de Pastoral, desde a primeira, na Paróquia da Catedral, depois, Xanxerê e São José do Cedro, são repletas de fraternidade e alegrias. O convívio e trabalho em equipe – pa-dres , Irmãs e agentes leigos – tem sido muito enriquecedor, alimentando-nos mutuamente com mais vida. Foi o segredo da nossa força na caminhada, podendo mesmo sermos alegres nos sofrimentos, nos deveres e sacrifícios.

A alegria com o povo, nos primeiros Círculos Bíblicos, e depois nos Grupos de Reflexão: a alegria da descoberta da Bíblia, ocasião de falar das cosias da vida com o padre, sentir-se gente, ter o direito de dar sua opinião etc.

No trabalho constante com lideranças nas paróquias e também no CTPL, na partilha dos saberes, nas experiências e vivências do povo simples e trabalhador, vivemos juntos a alegria como hábito permanente, que tornou mais fáceis as ações difíceis e suavizou as dificuldades de cada dia. O surgimento dos Movimentos populares e as alegrias de suas conquistas, frutos de conscientização e organização em vários setores da vida. 

Obrigada por seu testemunho, pe. Romualdo!

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