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Postado em 14 de Setembro de 2018 às 09h28

Mês da Bíblia e o Livro da Sabedoria, por Pe. Cleto Stülp

Geral (43)
Diocese de Chapecó/SC Sabedoria, o livro indicado para o estudo bíblico deste mês de setembro, é o último escrito do Antigo Testamento. Sua autoria, com registro originário em grego, provavelmente é de um...

Sabedoria, o livro indicado para o estudo bíblico deste mês de setembro, é o último escrito do Antigo Testamento. Sua autoria, com registro originário em grego, provavelmente é de um judeu que vivia em Alexandria, no Egito. Destinatário especial são os governantes, para que ajam com justiça; também os sábios gregos, para que conheçam a sabedoria de Israel; e ainda para os judeus jovens, para que resgatem os valores de seus antepassados. Pelos anos 50 a.C. uma parte da população judaica da diáspora abandonou a religião de origem e aderiu à cultura helenista. Para garantir a sobrevivência as pessoas submetiam-se, de corpo e espírito, aos comandos e desmandos dos opressores. Aparentemente era a saída mais fácil e viável, porém, ela aumentava ainda mais a carga da escravidão. A outra alternativa, bem mais difícil, era a da descoberta da sabedoria da justiça como força capaz de libertar o povo oprimido.

• ENTREGAR-SE OU LUTAR

No livro em análise, o ímpio pratica a injustiça que produz a morte e o justo realiza a justiça que gera a vida. O povo peregrino em terras estrangeiras deve necessariamente entregar-se ao dominador ou pode resistir, lutar e libertar-se? Esta questão de fundo move todo o desenrolar do texto, no seu complexo contexto. O desafio aceito pelo autor desta preciosa obra sapiencial pode ser visto em duas vertentes: 1. A sabedoria que Israel acumulou ao longo de sua história, que é puro dom de Deus, pode ser apresentada para as demais nações como discernimento para o senso da justiça; 2. Reforçar a fé, ativar a esperança e dar consistência à sua identidade.

• SABEDORIA, COMPANHEIRA DIÁRIA

A releitura do antigo êxodo tem o propósito explícito de que as escrituras, além do ensino e atualização, tornam-se princípio de discernimento histórico e social. Isto funcionou muito bem naquele tempo e vale perfeitamente para nossos estudos e práxis. Podemos ler os 19 capítulos do livro da Sabedoria e responder: Por que a justiça é imortal? Quais as consequências disso? O que acontece quando os governantes não amam a justiça? É possível ser justo numa sociedade injusta? De que modo a injustiça produz a morte?

• A JUSTIÇA É IMORTAL

Olhando para as organizações das sociedades humanas, constatamos que o aparato idolátrico sempre foi montado para sustentar a desigualdade social como sendo algo “divino e legal”. Os deuses fabricados pelos homens, à sua imagem e semelhança, legitimam os privilégios dos ricos e poderosos e condenam os pobres e excluídos. A sabedoria que vem de Deus opõe-se frontalmente à toda espécie de idolatria. Por que? Porque esta produz injustiças. O livro da Sabedoria conclui: para os idealizadores e aliados dos ídolos resta apenas a morte. A verdadeira felicidade pertence aos amigos de Deus, “Porque a justiça é imortal” (1,15).

Pe. Cleto João Stülp |  Seara/SC 

Foto: Diego Isotton 

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