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Postado em 05 de Setembro às 15h57

Mês da Bíblia 2018: Uma reflexão sobre o Livro da Sabedoria

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Diocese de Chapecó/SC Desde 1971, a Igreja do Brasil instituiu o Dia Nacional da Bíblia e o Mês da Bíblia, que se difundiram em outros países, com o objetivo de despertar nas famílias e comunidades a necessidade...

Desde 1971, a Igreja do Brasil instituiu o Dia Nacional da Bíblia e o Mês da Bíblia, que se difundiram em outros países, com o objetivo de despertar nas famílias e comunidades a necessidade de fazer da Bíblia a fonte por excelência que alimenta a espiritualidade cristã. Esta iniciativa está inserida no contexto do Vaticano II, que reforçou a centralidade da Sagrada Escritura e a necessidade de torná-la mais popular entre os católicos, que durante um longo período teve dificuldades de acesso à leitura e ao estudo bíblico.

Neste ano de 2018 a proposta é estudar o livro da Sabedoria, considerado o último escrito do Antigo Testamento, pelo ano 50 a.C. A grande questão, naquele tempo, era refletir a possibilidade de intercambiar os valores da fé judaica com a cultura grega, predominante no mundo da época. Em outras palavras, era possível manter-se fiel à sabedoria revelada ao povo de Israel, desde os tempos antigos, com a cultura que vinha se implantando e dominando, desde as conquistas de Alexandre Magno (333 a.C.), conhecida como helenismo, que se constituía a partir da mistura de diversas culturas dos povos conquistados e da cultura grega? Através do helenismo acontecia um processo de desintegração cultural, pela junção dessas culturas, fazendo surgir uma nova cultura, com forte acento nos princípios da filosofia grega.

Autor e local

Embora se suponha que o autor seja Salomão (9,7-8.12), o livro da Sabedoria foi escrito, provavelmente, por um judeu, que vivia na diáspora, ou seja, fora da Palestina. Seu autor manifesta profundo conhecimento da literatura bíblica de Israel, bem como da língua, filosofia e costumes gregos. O local da escritura foi, possivelmente, a capital do Egito, a cidade de Alexandria, que contava na época com cerca de 600 mil habitantes, dos quais em torno de 150 mil eram judeus. Alexandria era, nesse período, o principal centro cultural do Império Romano. Possuía uma biblioteca com aproximadamente 700 mil volumes.

A organização dos judeus para preservar sua identidade

Na diáspora, principalmente em Alexandria, os judeus puderam manter parte de sua cultura através de uma organização chamada politeuma. Esta era constituída de um grupo de estrangeiros que eram reconhecidos com o direito de ter sua organização própria dentro de cidade, com sua constituição própria. Formavam uma população semiautônoma, uma ‘cidade dentro da cidade’. Cada politeuma possuía sua própria constituição e regulamentava suas questões internas por meio dos seus líderes, que operavam de forma independente do governo da cidade em questão. Em Alexandria, local onde foi escrito o livro da Sabedoria, havia esta organização dos judeus, que garantia direitos fundamentais, desde construir sinagoga, observar o sábado, ter certa autonomia administrativa e jurídica, até a isenção do pagamento de impostos e da obrigatoriedade de prestar culto ao imperador.

Esses direitos, elencados acima, não respondiam a todas as necessidades dos judeus. Não podiam, por exemplo, participar inteiramente da vida política, social e cultural, sem abrir mão de parte da identidade judaica. Eram hostilizados e, às vezes, perseguidos abertamente, ameaçando a fé que veio por meio dos antepassados. As tensões foram crescendo e os direitos negados aos judeus, sobretudo, àqueles que persistiam em se manter mais fieis aos princípios da tradição judaica. O que fazer diante de tal situação? Como manter a identidade do povo de Israel diante das injustiças cometidas e de uma cultura estranha?

A proposta do Livro

Ser sábio significava manter-se fiel aos valores da tradição judaica e cuidar para não perder sua identidade, sobretudo, diante da proliferação dos ímpios e da diminuição dos justos. O caminho proposto motivava a exaltar a Sabedoria como a virtude moral por excelência, revelada ao antigo Israel. Somente assim seria possível resistir diante da idolatria e dos vícios pagãos. Além disso, era necessário confiar no juízo divino.

Possuir a sabedoria é ter a capacidade de discernir para o senso da justiça, que leva à vida e à liberdade. Deus revelou aos antepassados judeus a grandeza da sabedoria, a qual faz reforçar a fé e manter a esperança. A verdadeira sabedoria não se conquista pelo esforço humano, mas vem de Deus e produz a justiça. O autor identifica a sabedoria com a justiça. Quem possui a sabedoria, possui a vida eterna, porque a justiça é imortal (1,15). É a sabedoria que dá sentido à vida (1,16 – 5,23).

Deus cria o ser humano para a plenitude da vida, para a imortalidade. Somente quem é justo pode fazer esta experiência. Isso, no entanto, é graça de Deus, que acontece quando a pessoa se abre para Ele, pois é dele que vem a graça da vida plena. Quem busca a Deus obtém a sabedoria, que não pode ser identificada com uma cultura ou com erudição, mas, em primeiro lugar, com o senso de justiça, a capacidade para discernir e praticar o que é justo. Ao contrário, o injusto é aquele que se fecha para Deus e nele não confia.

Estrutura do Livro

A mensagem da Sabedoria está estruturada em três partes:

a) 1 – 5: o papel da sabedoria durante a vida e após a morte;
b) 6 – 9: a natureza da sabedoria e os meios de obtê-la;
c) 10 – 19: a ação da sabedoria de Deus, em favor de seu povo, na história da libertação do Egito.

A ideal do ser humano é buscar e viver segundo a sabedoria que vem de Deus. O livro da Sabedoria soluciona o problema da retribuição. Afirma que Deus criou o ser humano para incorruptibilidade (2,23) e que a recompensa da sabedoria assegura um lugar junto de Deus (6,18-19). Busquemos, pois, a sabedoria!

Pe. Ademir Rubini | Vigário Geral Diocesano

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