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Postado em 14 de Novembro de 2017 às 14h27

JESUS, morrendo, “matou a morte”

Mensagem (5)
Diocese de Chapecó/SC “Entra na alegria do teu Senhor.” (Mt 25,23) Dia 2 de novembro é um dia marcante, porque é a festa da imortalidade e da ressurreição. É uma recordação da...

“Entra na alegria do teu Senhor.” (Mt 25,23)

Dia 2 de novembro é um dia marcante, porque é a festa da imortalidade e da ressurreição. É uma recordação da vida de quem já peregrinou neste mundo e agora alcançou a plenitude de seus desejos e esperanças. Aqui somos companheiros de viagem, lá seremos convidados das núpcias do Cordeiro. A melhor despedida é esta: “até nos revermos no céu”.

Não é fácil meditar sobre a morte, pois, estamos diante de um mistério. Experimentamos a mortalidade do corpo e a imortalidade da alma. Estamos cada vez mais despreparados para morrer. Mesmo sendo um fenômeno universal e uma experiência existencial, não é fácil reconciliar-se com a verdade da morte. É forte nosso instinto de conservação, nosso desejo de viver, mesmo sabendo que vamos morrer. “Só não morrem as flores de plástico”, dizia alguém.

A morte hoje é um tabu, algo que escondemos, camuflamos, afastamos como se fosse algo proibido e perigoso. Poucos morrem em casa, o luto saiu da moda, afastamos as crianças do enterro, os profissionais da saúde são os que assistem os moribundos.

A humanidade tomou duas posições diante da morte. A primeira atitude é render-se ao nada, ao vazio, ao absurdo. A segunda opção é a crença na reencarnação. Todavia há uma terceira via que não é filosófica, mas teológica. É a fé na ressurreição de Jesus Cristo e de todos os filhos de Deus. A morte foi redimida: Jesus, morrendo, “matou a morte.”

A morte, na fé cristã, é uma experiência pessoal, uma passagem, um parto e uma porta para uma nova fase da vida. “Meu fim é o meu início”, afirma o mestre espiritual A. Grün. A vida não é tirada, é transformada. Felicidade, luz, paz, plenitude, alegria e glorificação constituem a realidade da vida após a morte, na comunhão dos santos e na visão de Deus face a face. Ao morrer somos abraçados pelo Pai, entronizados na comunhão dos santos, coroados pela Santíssima Trindade, glorificados com Jesus, enriquecidos com a herança da salvação.

Os santos e pessoas de fé atestam: “O dia da minha morte, será o dia mais glorioso da minha vida”. Lembremos Santa Terezinha que dizia: “Não morro, entro na vida”.

Para Jesus, a morte foi o retorno ao Pai, a entrega amorosa de si, o supremo ato de amor, a hora da glorificação. Conheci um missionário que carregava na pulseira do relógio, esta frase: “A morte é certa, mas a hora é incerta”. Morrer para viver.

Nosso viver é também um caminhar para o morrer. Como uma mulher grávida se prepara para o parto, como a gente se prepara para uma festa ou a chegada de uma visita, assim, precisamos nos preparar para a nossa hora derradeira. É assim que rezamos na Ave Maria: “agora e na hora de nossa morte, rogai por nós”.

O céu é nossa pátria e paraíso. Lá somos esperados e nos uniremos aos amigos, aos parentes, aos antepassados na comunhão dos santos.

Lembremo-nos que aqui somos peregrinos e que o melhor nos espera. O que nossos mortos são hoje, nós seremos amanhã. “Quero morrer para estar com Cristo”, dizia Paulo Apóstolo. Sabemos pela fé que o amor, o bem, as boas obras, não passam, mas nos acompanharão, serão a chave da porta do céu, o passaporte para a glória.

Os justos como estrelas brilharão. Não precisaremos da luz do sol nem da lâmpada, pois Deus mesmo será a luz, será tudo em todos. A ordem é esta: “Entra na alegria do teu Senhor”. (Cf. Mt 25, 23).

Por fim, a morte tem um valor educativo: ensina o desapego dos bens materiais, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambição e a ganância, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida à procriação para eternizar a vida biológica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrimônio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decisão máxima e a opção fundamental da pessoa.

Para morrer bem, é preciso viver fazendo o bem: “levaremos a vida que levamos”. O bem é o passaporte para a eternidade feliz e o irmão que ajudamos será o avalista de nossa glória no céu: “Vinde benditos”. Que assim seja! Amém.

Dom Odelir José Magri, mccj
Bispo diocesano de Chapecó

 

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