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Postado em 14 de Setembro às 09h04

CRUZ: um beijo de adoração

Diocese de Chapecó/SC A cruz é um dos maiores símbolos do cristianismo, pois nela se revela o maior gesto do amor de Deus pela humanidade. É nela que o Filho de Deus realizou a nossa salvação,...

A cruz é um dos maiores símbolos do cristianismo, pois nela se revela o maior gesto do amor de Deus pela humanidade. É nela que o Filho de Deus realizou a nossa salvação, “humilhando-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8). Por isso, “assim como a serpente, símbolo da morte pelo seu veneno se converteu em símbolo da vida no deserto, assim também a cruz, que era um instrumento de morte, tornou-se instrumento de salvação pelo seu sacrifício na cruz” (cf. Jo 3,14-15).

É com essa compreensão que a liturgia da sexta-feira santa, ao referir-se ao culto à Cruz, se expressa dizendo que se trata de uma “solene adoração da santa Cruz”, deixando inclusive a possibilidade de dobrar o joelho diante dela. Essas palavras e este convite nos levam à reflexão e com maior razão nos colocam diante das nossas ações e realizações. Aproximamo-nos da imagem do Cristo crucificado e o beijamos; adoramos a Cristo, a sua Cruz. Diante desse nobre gesto, podemos nos fazer duas perguntas: Por que adoramos a Cruz? Por que a beijamos?

Nós adoramos a Santa Cruz porque ela foi o madeiro no qual o próprio Deus feito homem retirou a maldição do pecado que pesava sobre nós. A cruz era sinal de maldição, suplício dos culpados e grandes marginais da sociedade. Cristo transformou esse sinal de maldição em sinal de bênção.

Para entender melhor por que adoramos a Santa Cruz é preciso que compreendamos uma realidade: as coisas contêm um significado. Por exemplo: beijar uma pessoa tem distintos significados quando realizado em diversas circunstâncias. Uma criança que dá um beijo na sua mãe; o beijo na face quando duas pessoas se encontram ou se conhecem; o beijo entre namorados... Há diversidade de beijos, enfim, um beijo pode significar muito! No caso do beijo à Santa Cruz, trata-se de um beijo que se pode interpretar em relação a outro beijo, aquele que o presbítero dá ao altar todos os dias ao começar e ao terminar a Santa Missa: um beijo cheio de amor, de respeito, de admiração.

Assim, nossa atitude diante da cruz ou de outra imagem, pode ser de vê-la simplesmente enquanto imagem, na sua mera materialidade, ou vê-la enquanto significativa de realidades que ela expressa. Mas Deus nos conhece melhor que nós mesmos e sabe que nós conhecemos e amamos as realidades que não vemos a partir das que vemos.

No entanto, Deus, apaixonado pelo ser humano, não se contentou em permitir representações materiais das realidades espirituais, mas ele mesmo quis ser visto fisicamente pela humanidade, “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Então, quem poderia ir contra a materialidade da religião quando o próprio Deus se fez matéria? Quem se atreveria a professar um cristianismo puramente espiritual quando Deus quis um sadio materialismo da fé?

A pessoa humana é imagem e semelhança de Deus. No entanto, ela compreende Deus através de imagens e, por isso, as venera. Ou seja, não veneramos a materialidade, mas as expressões das realidades espirituais. Não adoramos a materialidade da Cruz, mas tudo o que ela significa: Cristo crucificado nela, nosso único Senhor e Salvador.

A Santa Cruz “é fonte de todas as bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que crêem recebem na sua fraqueza, a força; na humilhação, a glória; na morte, a vida”. (S. Leão Magno). Então, como diz nosso papa emérito, Bento XVI, “olhemos para a CRUZ de Cristo! Nela encontraremos a coragem para prosseguir o caminho”. Com esta clareza, vamos nós cada dia “tomar nossa cruz e seguir a Jesus” (cf. Mt 16,24).

 

Fátima Delma Cortelini
Valésia Xavier Lessa

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