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Postado em 04 de Março às 10h51

CF 2020: MENOS PURITANOS E MAIS SAMARITANOS

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Diocese de Chapecó/SC A frase do lema desta CF -“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,34) - é parte da parábola do “Bom Samaritano”, contada por Jesus ao “ensinador” da Lei. Este...


A frase do lema desta CF -“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,34) - é parte da parábola do “Bom Samaritano”, contada por Jesus ao “ensinador” da Lei. Este iniciou perguntando “o que devo fazer pra herdar a vida eterna?”. Jesus retrucou perguntando como é que ele lia e interpretava a Escritura. Ao responder “amar a Deus com todas as forças e acima de tudo... e ao próximo como a si mesmo”, Jesus o elogiou e lhe disse: “Faça isso e viverá”. Mas como os doutores da Lei debatiam limitando e definindo quem era o próximo que precisava ser ajudado, e quem era dispensado de ajuda, o doutor perguntou a Jesus: “Quem é meu próximo?”

Meditemos a parábola! Certo homem descia, foi assaltado e espancado, ficou sem nada e deixado quase morto, na sarjeta, à beira do caminho. Passaram os praticantes da religião e “funcionários” do Templo, o sacerdote e o levita; cada qual viu o assaltado ferido e passou pelo outro lado. Passou também um samaritano, tido como pagão pelos judeus, que teve um olhar diferente: viu o ferido, encheu-se de compaixão, aproximou-se dele, tratou suas feridas, pôs nelas remédios caseiros (óleo e vinho), colocou-o no seu animal, levou a uma pousada, cuidou dele... Não tinha “amado que chega” o samaritano?... Pagou duas diárias e recomendou ao dono da pousada que cuidasse e garantiu que pagaria o restante na volta...
O doutor da lei queria saber “quem é meu próximo?” No final, Jesus pergunta e orienta: “Qual dos três se fez próximo do necessitado?” O importante não é saber “a quem devo ajudar”, mas “aproximar-se para ajudar”.

Há olhares diferentes. Se olharmos como Deus e como Jesus olham, esse olhar nos engaja para defender e promover a vida e tornar mais humano o nosso mundo. O samaritano, considerado pecador, herege e desprezado pelos “praticantes da religião”, fez de sua vida missão, dom e serviço em favor da vida fragilizada. Ele não tinha “razões” para ajudar o ferido, mas tinha o amor de Deus em seu coração, e isto nos aproxima dos necessitados e torna o ser humano nosso próximo. Próximo é aquele de quem nos aproximamos.

Já o sacerdote e o levita não o ajudaram porque se comportavam como “gente de bem”, seguiam as normas da religião, os costumes sociais e pautavam suas vidas conforme as orientações oficiais. Deviam evitar qualquer contato com sangue e com pessoas tidas como impuras e pecadoras. Esses puritanos não compreenderam o valor da vida humana, nem o mandamento do amor. Serviam à instituição, mas se esqueciam do essencial: a misericórdia. Porém, na ação do samaritano junto ao ser humano caído, Deus estava manifestando sua presença de compaixão. O pagão samaritano dessa parábola é um belíssimo exemplo para nós. Assim Jesus, nosso Bom Samaritano, age conosco: “Vê, chega junto, tem compaixão e cuida de nós”.

Se as práticas de ritos e de normas religiosas não nos ajudam a vivermos o amor e o cuidado da vida, servem para quê?... Portanto, sejamos menos puritanos e mais samaritanos!

Pe. Ivo Pedro Oro | Paróquia São Miguel Arcanjo, SMO

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