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Postado em 08 de Outubro às 14h20

Carta à vida contemplativa por ocasião do Mês Missionário Extraordinário

Destaque (41)
Diocese de Chapecó/SC "Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo” Caríssimas irmãs e irmãos da Vida Contemplativa, Estamos nos aproximando do Mês Missionário...

"Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”

Caríssimas irmãs e irmãos da Vida Contemplativa,

Estamos nos aproximando do Mês Missionário Extraordinário Outubro 2019 anunciado pelo Papa Francisco para celebrar o centenário da carta Apostólica Maximum Illud (1919), de seu predecessor o Papa Bento XV, que convidava toda a comunidade dos fiéis a sentir-se responsável da missão. 

O tema escolhido – “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo” – revela o objetivo do Mês Missionário Extraordinário: despertar a consciência da missio ad gentes-retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral. Trata-se de um acontecimento eclesial de grande importância que abrange todas as Conferências Episcopais, os membros dos Institutos de Vida Consagrada, as Sociedades da Vida Apostólica, as Associações e movimentos eclesiais.

“No centro desta iniciativa, que envolve a Igreja Universal, estará a oração, o testemunho e a reflexão sobre a centralidade da missio ad gentes como estado permanente de envio para a primeira evangelização (Mt 28, 19)” (Carta do Card. Fernando Filoni aos Superiores e Superioras Gerais, 3 de dezembro de 2017).

O Papa Francisco não se cansa de repetir: “A ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja” (Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 15). De fato, a missão é a realidade constitutiva do ser e do agir da Igreja. A Igreja “é, por sua natureza, missionária” (Decreto Conciliar Ad Gentes 2). Esta afirmação do Decreto Conciliar Ad Gentes lembra que a missão tem sua origem em Deus que é Amor que não se contém, que transborda, que se autocomunica. A missão nasce deste “amor fontal” do Pai, que envia o Filho, que envia o Espírito, que envia a Igreja. A Igreja nasceu para ser enviada e sua missão não tem confins, é para o mundo inteiro. A ela compete anunciar o Evangelho às pessoas que já o conhecem, mas sem esquecer que deve chegar a todos os povos.

Se Deus chama todos os homens e as mulheres a participar de sua vida divina, de maneira especial, todos aqueles que, pelo batismo, foram feitos filhos e filhas do mesmo Pai são chamados a participar da sua missão. Os membros da Igreja, povo de Deus, são chamados a ser, integralmente e em toda a parte, um povo missionário, a caminho, para partilhar a sua fé.

A missão nasce do amor, do amor que cada um de nós tem para com Jesus. Tanto mais amamos Jesus, tanto mais sentimos a necessidade de falar dele. A missão é uma dimensão do meu ser cristão; a missão não pode ser feita por outra pessoa, mas por mim porque ela é a medida do meu amor para com Jesus.

Por isso, Santa Teresinha do Menino Jesus dizia: «Compreendi que só o amor fazia atuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra  em si todas as vocações, que o amor é tudo e que abrange todos os tempos e lugares, numa  palavra, que o amor é eterno (…): no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor» (Manuscritos autobiográficos, Ms. B, 3v.).

Dirigindo-se às contemplativas, Papa Francisco, lembrou que “A vida consagrada é uma história de amor apaixonado pelo Senhor e pela humanidade”, que “constrói-se, dia após dia, através da busca apaixonada do rosto de Deus”, perante o qual “tudo se redimensiona”, porque  “quem mergulha no mistério da contemplação, vê com olhos espirituais: isto permite-lhe contemplar o mundo e as pessoas com o olhar de Deus” (Francisco, Constituição Apostólica Vultum Dei Quaerere, sobre a vida contemplativa feminina, 29 de junho de 2016, 9-10).

O consagrado e consagrada à vida contemplativa deve ter constantemente diante de seus olhos toda a humanidade e abraça-la com a oração e a oferta de si. A vocação missionária e a vocação claustral são as mais próximas e semelhantes. O “permanecer” num determinado lugar e o “partir” tem uma raiz em comum: a radicalidade. O mosteiro e a missão exigem o mesmo desapego e sacrifício, o dom de si sem reservas.

A vida de fé que ritma toda a existência da vocação contemplativa é a raiz que alimenta toda a obra evangelizadora. A vocação contemplativa se insere de uma maneira especial, em virtude da própria vocação, na obra da Redenção através da oração diária, prolongando no tempo a relação de amor de Jesus com o Pai, a fim de que todos possam conhecê-lo e chegar à verdade.

O anúncio da mensagem da salvação brota da contemplação do projeto de Deus. Para conhecer e fazer conhecer este plano de salvação não é suficiente anuncia-lo ou ouvi-lo. É necessário deixar-se possuir pelo mistério através de uma relação de oração sintonizada na oração de Cristo.

Eis porque a vocação contemplativa se coloca no coração da Igreja e no coração da evangelização: ela encarna e prolonga aquele aspecto peculiar da vida de Jesus que constitui o centro de qualquer obra apostólica. A vida claustral conduz ao coração missionário da Igreja, lugar da comunhão com Deus e com os membros da comunidade.

“A oração é o núcleo da vossa vida consagrada, da vossa vida contemplativa e é o modo de cultivar a experiência de amor que sustenta a nossa fé [...] é uma oração sempre missionária. Não é uma oração que embate no muro do convento e volta para trás, não! É uma oração que sai e parte… [...] Através da oração, dia e noite, aproximais do Senhor a vida de tantos irmãos e irmãs que, por variadas situações, não O podem alcançar para experimentar a sua misericórdia” (Francisco, Hora média com as religiosas contemplativas, Lima - Santuário do Senhor dos Milagres, 21 de janeiro de 2018).

A vossa vocação é um chamado a ser profecia do Reino e oração incessante. Se o missionário é «um contemplativo na ação» (João Paulo II Carta Encíclica Redemptoris Missio, 91), os contemplativos podem ser definidos «agentes pastorais na contemplação». 

Por isso queremos bater às portas das vossas comunidades e do vosso coração para pedirvos que intercedeis a Deus para que através de iniciativas concretas todos os batizados sintam- e enviados, e as Igrejas locais e as famílias religiosas assumam com maior vigor a sua vocação permanente à missão.

Como os “pequeninos” do Evangelho que se deixam conduzir por Deus às profundezas do seu Mistério, o vosso testemunho ajude a todos nós a compreender que a vida cristã consiste em viver plenamente a graça do Batismo na doação total de si ao Amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o mesmo amor por toda a humanidade.

“Que o Mês Missionário Extraordinário se torne uma ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar de modo particular a oração – alma de toda a missão –, o anúncio do Evangelho, a reflexão bíblica e teológica sobre a missão, as obras de caridade cristã e as ações concretas de colaboração e solidariedade entre as Igrejas, de modo que se desperte e jamais nos seja roubado o entusiasmo missionário” (Carta do Papa Francisco ao Card. Fernando Filoni por ocasião do centenário da promulgação da Carta Apostólica ‘Maximum Illud’). Esse é o desejo do Papa Francisco para nos animar a viver o Mês Missionário Extraordinário.

 


ORAÇÃO DO MÊS MISSIONÁRIO EXTRAORDINÁRIO:


Pai Nosso, o Teu filho unigênito Jesus Cristo, ressuscitado dentro os mortos, confiou aos seus  discípulos o mandato: “Ide e fazei discípulos todos os povos”. Recorda-nos que, pelo batismo, tornamo-nos participantes da missão da Igreja. Pelos dons do Espírito Santo, concede-nos a  graça de sermos testemunhas do Evangelho, corajosos e vigilantes, para que a missão confiada à Igreja, ainda longe de estar realizada, encontre novas e eficazes expressões que levem vida e luz ao mundo. Ajuda-nos, Pai Santo, a fazer com que todos os povos possam encontrar-se com o amor e a misericórdia de Jesus Cristo, Ele que é Deus convosco, vive e reina na unidade do Espírito Santo, agora e para sempre.

Amém.


Dom Odelir José Magri
Bispo de Chapecó
Presidente da C.E.P. para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial


Dom José Altevir da Silva, CSSp
Bispo de Cametá
Membro da C.E.P. para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial

Dom Adilson Pedro Busin, CS

Bispo Auxiliar de Porto Alegre Membro da C.E.P. para a Ação Missionária
e a Cooperação Intereclesial

Dom Giovanni Crippa, IMC
Bispo de Estância
Membro da C.E.P. para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial

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