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Postado em 24 de Fevereiro às 12h16

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020 - “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34)

Diocese de Chapecó/SC “O compromisso da Igreja no Brasil com a defesa incondicional da vida suscitou, em diferentes momentos da história, experiências de reflexão e práticas concretas para promover a...


“O compromisso da Igreja no Brasil com a defesa incondicional da vida suscitou, em diferentes momentos da história, experiências de reflexão e práticas concretas para promover a justiça, os direitos e a dignidade humana, inspirada no próprio Jesus Cristo, Aquele que caminhou com os marginalizados encorajou e estendeu a mão para os caídos, enfrentou os poderosos do seu tempo para dizer que o amor tudo supera, o amor é o que nos tornará ‘benditos do Pai’.

O tempo da Quaresma, no qual somos chamados à conversão para viver, com alegria, a Páscoa do Senhor, é um caminho que pode nos permitir encontrar com as motivações e compromissos primeiros da fé que professamos no Batismo. Para tal, a Campanha da Fraternidade 2020, que tem como tema: ‘Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso’, convoca-nos a ver, sentir compaixão e cuidar da vida, assim como fizera o Samaritano (Lc 10,25-37) com o homem ferido na estrada quando descia de Jerusalém para Jericó. Ao fim da história, seremos julgados pelo amor, pelas obras de misericórdia que fizemos com os irmãos e irmãs que sofrem em uma vida subjugada, ameaçada, destruída.” (Manual CF 2020, p.115.).

Esta Campanha da Fraternidade (CF), iluminada pelo lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), tem o seguinte objetivo geral: “Conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa Casa Comum” (id., p. 21).

Segundo Pe. Patriky Samuel Batista, secretário executivo de Campanhas da CNBB, “a CF 2020 deseja apresentar o sentido da vida proposto por Jesus nos Evangelhos; recordar a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para relações sociais mais humanas; promover e defender a vida desde a fecundação até seu fim natural; despertar as famílias para a beleza do amor que gera continuamente vida nova; preparar os cristãos e as comunidades para anunciarem, com o testemunho e as ações de mútuo cuidado, a vida plena do Reino de Deus; criar espaços nas comunidades para que todos se sintam parte da vida recebida no batismo e o dom do Espírito Santo, na Crisma; despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando-os ao engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança; valorizar, divulgar e fortalecer as inúmeras iniciativas já existentes em favor da vida; conscientizar para a vivência de uma ecologia integral que desperte o compromisso de cuidado para com o planeta terra, nossa casa comum; fortalecer a cultura da fraternidade e a revolução do cuidado como caminho de superação da indiferença e da violência.”


O Bom Samaritano: anúncio da compaixão e do cuidado com a vida

“Em meio aos inúmeros e ricos textos bíblicos que podem iluminar a nossa Quaresma, um deles é destacado pela Campanha da Fraternidade deste ano, tornando-se referência para tudo o que viermos a rezar, refletir e agir” (Texto-Base CF 2020, nº. 1). É o texto de Lucas 10,25-37, popularmente conhecido como parábola do Bom Samaritano.

Os materiais da Campanha oferecem muitas reflexões sobre este texto bíblico. Todavia, aqui resgatamos cinco indicativos apresentados pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja em Santa Catarina sobre este ícone bíblico. Eles podem nos ajudar a rezar e assumir ações concretas acerca do tema da CF 2020.

a) Certo samaritano em viagem - Não sabemos exatamente de onde ele veio e para onde vai. Tem seus planos. No entanto, ao ver o ferido, procura dedicar-lhe atenção e oferecer-lhe cuidados. Jesus e seus discípulos assumiram um estilo de vida itinerante como portadores da paz e do amor. Caminhar foi o modo escolhido para encontrar-se com as pessoas, dialogar com elas e propagar a Boa Notícia da Salvação (DGAE, n. 74).

b) Chegou junto dele, viu-o e moveu-se de compaixão - Três verbos que condensam a prática de Jesus junto às pessoas em situação de necessidades. O sacerdote e o levita não o fizeram porque se mantiveram fiéis às normas do sistema religioso oficial. Deviam evitar qualquer espécie de contaminação, para não se tornarem impuros. Há uma clara oposição entre o Templo (lugar considerado morada oficial de Deus), onde o levita e o sacerdote prestavam serviço, e o lugar da pessoa marginalizada. É este ser humano, na verdade, o lugar onde Deus manifesta a sua presença compassiva, por meio de um samaritano: “Viu-o, chegou junto dele e moveu-se de compaixão”.

c) Aproximou-se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho - Só quem se aproxima tem condições de conhecer a situação do outro. Não basta ver, como viu o mestre da lei, interlocutor de Jesus, e como viram o sacerdote e o levita. Enquanto esses se comportavam como pessoas de bem, segundo as normas institucionais, jamais poderiam compreender profundamente o valor da vida humana. Eram pessoas que pautavam suas vidas de acordo com o oficialmente determinado. Assim, servindo à instituição, esqueciam-se do essencial: a misericórdia. Cegos guiando outros cegos não enxergavam além dos seus próprios interesses e conveniências.

d) Colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o à hospedaria e dispensou-lhe cuidados - Segundo a proposta de Jesus, o amor ao próximo, inseparável do amor a Deus, envolve total comprometimento. Não pode ser parcial, abarca a totalidade do ser humano. O comprometimento implica também a administração dos bens materiais, tendo em vista a justiça social. O samaritano disponibiliza seus recursos com o objetivo de resgatar a vida daquela pessoa despojada. Está pessoalmente envolvido com aquele ser humano sem nome, sem palavra, sem reação.

e) No dia seguinte, tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro, dizendo: ‘Cuida dele, e o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei’ - Os dois denários são o equivalente ao pagamento de duas diárias. Não teria já se dedicado suficientemente este samaritano? Lucas quer levar seus leitores à exata compreensão da prática de Jesus: liberto do rigorismo da lei, do ritualismo e das instituições proibitivas, ele assume uma religião do bom senso, da solidariedade, da misericórdia e do amor com todas as implicações que disso decorrem.

O olhar de Jesus: atenção aos outros
“Diante do convite para vivermos uma profunda conversão, temos duas maneiras de olhar que são apresentadas por Jesus na parábola do bom samaritano: um olhar que vê e passa em frente, vivido pelo sacerdote e pelo levita; e um olhar que vê e permanece, se envolve, se compromete, vivido pelo samaritano. Diante desses olhares, há uma vida em jogo, em perigo, necessitada e vulnerável. Para uma verdadeira mudança de vida, precisamos aprender a configurar nosso olhar com o de Jesus, com o olhar do Bom Samaritano.” (Texto-Base CF 2020, nº. 26).

O Texto-Base da Campanha apresenta várias realidades que afrontam a VIDA e, por isso, pedem dos cristãos e das cristãs um olhar samaritano. Aqui destacamos algumas dessas situações em que a vida se apresenta “caída na beira do caminho”:

- No Brasil, 22,6% das crianças e adolescentes com idade entre 0 e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza.
- A desigualdade é um triste distintivo da sociedade brasileira. Em 2017, o Brasil era o 9º. país mais desigual do planeta em distribuição de renda.
- O aborto é uma realidade que ameaça a vida das crianças desde o ventre materno.
- O desemprego é outro cenário que agride a vida humana. No primeiro semestre de 2019, a taxa de desemprego atingiu 12,7% da população.
- O Brasil é considerado o país mais ansioso e estressado da América Latina. Nos últimos dez anos, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4%.
- A automutilação é um fenômeno que tem crescido principalmente entre os jovens.
- O primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, divulgado em setembro de 2017 pelo Ministério da Saúde, aponta a Região Sul nitidamente em destaque. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná respondem por uma taxa de 23% dos casos. Considerando que os Estados detêm somente 14% da população nacional, o número é preocupante.
- Uma triste ameaça à vida é o aumento do feminicídio. Segundo dados dos órgãos de segurança do Estado, em Santa Catarina, de 01 de janeiro até 08 de julho de 2019, foram registrados 28 casos de feminicídio.
- Os novos movimentos migratórios são outra realidade que pede um olhar samaritano. Segundo dados da Polícia Federal, somente em Chapecó a população de migrantes, vindos principalmente do Haiti, Senegal e Venezuela, supera sete mil pessoas.
- A agressão à natureza continua sendo uma preocupação, pois traz consequências diretas à vida de toda a Criação.

Mesmo diante de tantas realidades que afrontam a vida, esta Campanha da Fraternidade nos convida a lançar um olhar de fé e esperança sobre a realidade. Um olhar que identifica as sombras, mas também encontra as luzes da solidariedade. “Por isso, não podemos esquecer o testemunho de quem defende a vida atuando nas diversas entidades, nos Conselhos de Direitos, Organizações Não Governamentais, nos Movimentos Sociais e Populares, nos Sindicatos, nas Associações de Bairros e em muitas outras organizações comprometidas com a vida.”

Trechos do Texto-Base  - CF 2020, nº. 72

Texto de Capa do Jornal Diocesano de Chapecó - fevereiro de 2020.

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