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Postado em 24 de Fevereiro às 11h31

A alegria do carnaval e da Quaresma

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Diocese de Chapecó/SC A palavra carnaval tem uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão a que a associamos hoje em dia. "Carnaval" teria tido origem no latim carne vale (carne+vale =...

A palavra carnaval tem uma origem profundamente religiosa, com um significado quase oposto ao da diversão a que a associamos hoje em dia. "Carnaval" teria tido origem no latim carne vale (carne+vale = carne+adeus), e seria a designação da "terça-feira gorda", o último dia do calendário cristão em que é permitido comer carne, uma vez que, no dia seguinte, inicia-se a quaresma.

No Brasil o carnaval começou como uma atividade das elites, quando saíam às ruas para divertir o povo em um modelo de carnaval de luxo, importado da Europa. Mas, aos poucos, o povo não aceitou ficar apenas como expectador e tentou criar novos modelos, valendo-se dos folguedos de fundo religioso vivenciados nas procissões, para então participar efetivamente da festa. É no carnaval popular que a criatividade surge. É aí que vão aparecer manifestações típicas brasileiras, a afirmação da cultura popular de acordo com cada cidade.

Estes diferentes “carnavais” ainda hoje estão presentes. Há o carnaval mais elitizado do Rio de Janeiro e São Paulo, onde se investem milhões de reais em escolas de samba, e há o carnaval mais popular, especialmente no Nordeste, onde há uma grande participação popular.

Como cristãos não podemos ter uma visão unilateral do carnaval como se ele fosse em si pecaminoso. Todos nós precisamos da festa e da alegria para reunificar o nosso ser tão quebrado pelos fardos da vida diária. Neste sentido, a festa tem um sentido simbólico de recompor nossa identidade pessoal e social. Como cristãos precisamos manter um sadio equilíbrio.

E assim, na quarta-feira com as cinzas em nossas cabeças, entramos para um novo tempo de espera. Espera de uma nova festa que é a Páscoa. As cinzas nos fazem pensar que somos humanos, fracos, somos pó. Por várias razões a quaresma tem sido, às vezes, considerada como um tempo de fechamento e de tristeza. No entanto, a característica essencial da quaresma deveria ser um tempo alegre de preparação para a Páscoa. Por isso, é importante, ressignificar certas práticas e gestos que fazemos dando um sentido mais pascal.

Um exercício libertador seria o de abrir-nos mais à escuta da Palavra de Deus, confrontando-a com nossa vida e uma participação mais ativa e efetiva nas celebrações litúrgicas. O essencial é que haja em nós uma verdadeira conversão do coração e da mente, em todos os aspectos da nossa vida cotidiana.


Por Pe. Egídio Balbinot

 

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